Quem sou eu

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Todos os dias a Arte me toma de assalto e me leva para a Vida Real. Troco palavras, vejo pessoas, vivo um dia após o outro, como se o de ontem não tivesse existido, como se o de amanhã ainda estivesse muito longe de chegar.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Cidade do Velho e do Novo



Novamente de malas prontas
A terra do nunca me espera
E agora, mais que nunca, com saudades de lá
O sonho se materializa e o que era ficou para trás
Sou o novo, de novo
Rogo a deus o privilégio de ficar até o fim, ver o circo desarmar
Respiro as suas possibilidades, vivo a consonância dos tonantes e cifras que se misturam no ar
Vou fazer festa na casa de “todo o mundo”
Vou para a cidade do velho e do novo, onde gerações se encontram
Espiar o meu corpo espontaneamente se arrepiar
Nessa terra de desconhecidos e de amantes é onde todos se misturam
Nos vemos por lá

Roberta Moura


sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Teatro do Poeta que é Você Também

Tela de Flávio Tavares - Artista Paraibano


Todo poeta é burro e despreza sua própria dor
Todo poeta é sábio e confessa a sua insólita inclinação
Todo poeta é fraco o suficiente para suportar o desamor
Todo poeta é lúdico ao máximo para “simbiosiar” a imaginário da sua paixão
Todo poeta é um risco na imensidão do desenho que Deus começou
Todo poeta é frágil, quebra com o sopro do vento de quem vira o rosto
Todo poeta é completo para suportar a dor da solidão que lhe é reflexo
Todo poeta é tempo, começa e termina o que nem começou
Todo poeta é isso, é aquilo, é o que sempre planejou
Todo poeta é todo, metade cheio de um copo vazio, otimista no desagrado
Todo poeta é esquecido para que perdoe as mentiras do seu provedor
Todo poeta não tem vida, tem aspiração 
Todo poeta não tem sangue correndo nas veias, tem uma fonte de esperança no lugar onde seria o coração
Todo poeta é benevolente e possui em se ares de criador 
Todo poeta é imortal, pois o seu legado só tem início e entrega, nunca termo pontual
Todo poeta é barato, se troca por meia dúzia de letras, lhe usam e não recebem paga no final
Todo poeta é corajoso, realiza o espetáculo independente de plateia, porque não é o aplauso que lhe alimenta, mas a necessidade de se expressar
Todo poeta é nada sem a loucura palpitante que lhe alimentada pelo amor
Somos todos poetas nessas terras de Meu Deus, cada um à sua maneira de dizer o que é seu
Uns com maior ignorância no ato de chamar para si, outros com maior tolerância na hora que é preciso agir
Repartir o pão que não é nosso é fácil de fracionar, difícil é ter fita métrica em casa, quando deve partir de nós o ato de doar
Mas, no fundo, no fundo, agente só dá o que tem...
...e quem é locou de querer o que é de outro alguém?
Quase todos na prática, e na vida real quase ninguém
Acho melhor para por aqui antes que tentem tomar o que é meu também

Roberta Moura


quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Ao Meu Irmão




A teoria da conspiração de nada teria valia se fosse totalmente verdade ou totalmente mentira
Se a conspiração deixa-se ser conceituada e os segredos fossem dirimidos, se as interferências humanas no cosmo fossem descoberta, nada nessa vida teria mais sentido
Pobre coitada seria a conspiração, filha da curiosidade e da imaginação
Se ela soubesse o que finge saber fazer já teria feito muita coisa, já teria encontrado o que eu vim aqui esclarecer
Se as lacunas fossem conceituadas e os mistérios expostos no ar, elas não teriam mais sentidos, nem conluio teriam para morar
Seria tudo na base do conceito e girar a pedra que moe o mundo seria para qualquer um e não para um determinado rapaz que busca parir suas ideias
O parto que a terra não lhe deu por sua natureza lunar deve ser alcançado no vislumbre dos seus olhos, permita-se enxergar
Sem máscaras, sem preconceito, despido da sua ignorância natural
Abra a camisa e o Chakra mais inflamado, pois tudo que é dor um dia vai passar


Roberta Moura



quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Partir, andar




O seu amor que não sou eu não é seu, nunca será
Tantos dias eu levei pra contar, conto as contas no mar, as contas do terço que custam acabar
Recorte de história, serviu de nada, sem ingresso, sem acesso, sem ter coisa nova pra contar
Pensei em te contar e arriscar o que era eu, era só, só foi e ficou de novo, só eu fui  embora, para não mais voltar
Distraída e traída, colori com tintas bélicas o seu retrato, retardo falido da minha memória, vitória que aguardei mas não vi chegar
Solidão, dívida externa e passos lentos no funeral dos meus sonhos, tudo me leva ao caos que se instalou do lado de cá
Sou mais nada, não volta a palavra gasta e cuspida no ar
Volta à testa a saliva que foi pra cima, volta pra casa o filho derrotado e o gasto solado da sua sandália
Fica frio o peixe fora d’água, morre sozinho nas mãos de um estranho que lhe tirou do ninho, morre sem conhecer direito o seu inimigo, o seu vilão preferido
Tatuagem de renna, de símbolos, animais, só marcam o que se foi, serve para lembrar, e eu, que tenho essa memória elefântica, sou fadada a viver dessa história que tento esquecer, perdida no espaço, sem ter onde chegar
Rio de pedrinhas brilhantes, a luz do luar parece piorar tudo, inflamar essa tal dessa saudade
As unhas que pintei em sua homenagem foram ruídas, as máscaras que usamos no nosso carnaval foram doadas, nada mais nos une nessa palhaçada
Quando a confiança partiu levou com ela a certeza de toda verdade investida, toda a minha cara amassada de tanto te apreciar
Foi-se tudo embora, e com uma foice amolada cortou os pulsos dessa ex apaixonada
Deixou, correu o sangue colorido pela sala, foi-se as cores de abril, as águas de março, as tardes ensolaradas, a solidez da ingenuidade
Partiu para o infinito o pedaço esperançoso da minha alma

Roberta Moura  


segunda-feira, 20 de agosto de 2012

É Preciso Respirar


 

É preciso respirar fundo
Para permitir que se vá e não cause mais dor
Para engolir o choro e a falta de amor
Para fazer rir sem me fazer lagrimar
Para calar o sentido e magoar ainda mais com o que se tem para falar
É preciso respirar fundo, para fazer parar
Para disfarçar o choro de madrugada
Para tirar com a força a mancha na roupa derrotada
Para chamar atenção contra coisa errada
Para alcançar
É preciso respirar sem pensar
Na hora do sim, no “volta pra mim”, no beijo roubado da namorada
No atraso com hora marcada
No pestanejar da timidez, no soluço da embriaguês
No calor do desejo, no abraçar
É preciso respirar fundo para não acordar
Quando o colo é o melhor consolo
Quando o sonho bom se repete e é mais válido que qualquer esporro
Quando se sabe a verdade e por amor não se quer enxergar
Quando se ama com tamanha força e submerge para o outro não se afogar
É preciso respirar direito
Quando a dor te toma por um corte
Quando se precisa muito mais de cuidados que de sorte
Quando a ignorância é tamanha, ainda maior que a cegueira e não se sabe interpretar
É preciso respirar compassadamente
Esperando esse futuro incerto e duradouro
Calçando o pé direito do meu castelo com as pedras trazidas por cada estorvo
Para construir sonhos que te caibam
É preciso respirar em silêncio
Quando tudo vai ao chão
Quando a desculpa é mais requerida do que se possa produzir o perdão
Quando se descobre que lutara na guerra por um estado que não é nação
Quando se dá o que se tem e, por escambo, de refém, fazem teu coração

Roberta Moura


segunda-feira, 4 de junho de 2012

Hoje tem palhaçada?





Hoje tem palhaçada? Tem sim sinhôor!
Hoje tem marmelada? Tem não sinhôor!

Porque se não tiver marmelada para se falar sobre a política do Vale do Mamanguape vamos falar desses "Palhaços do EJC"

Tenha a Santa Paciência!!!

O EJC está no cerne dos corações, dessa moçada que é vida, que é barulho, que é diversão
Todos motivados pela mais pura emoção de Servir a Deus, cada um do seu jeito, com suas limitações, na medida das suas condições, de seus acertos e defeitos
O EJC não é um grupo, é uma família, é uma entidade merecedora do mais profundo respeito
Se não tem o que falar, fale do amor que nunca teve, fale da carência de assunto, mas não mexa com esses corações repletos de amor, que se encontram numa charanga, na amizade verdadeira, na oração, na brincadeira, no sol apino de um pedágio, na condição humana de levantar após os percalços
Errou feio moço desconhecido, quis ser notado, acabou desmerecido
Acertou onde não devia, nos corações de centenas de jovens acometidos de paixão por essa unidade
Coisa que você jamais entenderia 
Foram palhaços que vestiram seus narizes de vermelho e saíram as ruas nas diretas para reivindicar direitos como o que erroneamente utilizas, direito de falar de se expressar
Foram palhaços como aqueles que, defendendo o ideal constitucionista, gritaram bem alto no Impeachment, na esperança de alguém escutar 
Só defendemos o nosso ideal seu moço, espero que você tenha um também pelo qual possa lutar, e que junto aos seus possa acrescentar
Para ser palhaço aqui tem que saber respeitar!
Tem que ter amigos de verdade, ter com quem contar, tem que saber quanto custa o valor de uma lágrima, tem que saber chorar
Tem que lavar banheiro sujo, aprender a servir, a receber, a limpar, tem que aprender a pedir e a doar
Sou palhaça pela Graça
Tenho mais Graça que se possa imaginar
A nossa bagunça é Santa! 
Coisa que cabeças limitadas não conseguem imaginar!
Não conseguem unir juventude e santidade, gratidão e boa vontade
Sou filha de Deus e por ele me encontrei nesse conjunto, sou mais de Deus que do mundo
A nossa alegria está na força que vem do alto, inexplicável, eterna, incompreendida, injustiçada por pessoas limitadas, nada espertas

Tenho orgulho do que sou 
Sou EJC até quando Deus na sua casa me chamar, até enquanto puder viver

Oramos por você! 

Roberta Moura




segunda-feira, 28 de maio de 2012

Não nos sirva a ninguém, dê à ingenuidade adeus



Quando as palavras te faltarem e a música calar as sílabas, deixe falar a voz do coração
Quando um olhar te trazer a calma, como o único sentimento que invade duas almas, permita que essa paz tome conta da sua pequena imensidão
Permita-se, por um sorriso, uma luz, ou um par de olhos que te guie para fora da escuridão
Quando perceber que sua vida pertence a um contexto duplo, a uma outra dimensão, deixe o espaço ocupar o teu cansaço e entregue-se a essa emoção
Faz como se fosse sempre para você, tudo nesse seu jeito estúpido de ser
Faz para nós, como se não houvesse amanhã, como se ouvisse o ecoar daquela trombeta, que te quebra a testa com uma ruga atravessada, a surpresa que te toma de assalto, que te rouba a cor no ato, que te faz enrubescer  
Faz sem temer maiores surpresas, faz por mim, faz você
Quem nunca temeu que atire a primeira pedra, quem continua temendo uma tijolada no meio da fuça
Amor não se paga, não se pede, se oferece, com respeito se recebe, com dignidade é o mínimo que se pode fazer
O ínfimo que se espera é decência, porque é o condão que se deve vivenciar com quem se propõe a essa experiência
Ter quem te ofereça, quem te guarde para viver essa temporária eternidade, é um prêmio e um castigo, duas caras, duas vontades
Nem todos merecem o amor, nem todos merecem a dor
A alegria e a realidade, duas caras da mesma moeda, um fleche que segue a luz, ou a luz que na escuridão não se sente à vontade
Tem que se ter para dar
Tem que se ter para receber
Como o rio que segue caudalosamente para o mar, como eu corriqueiramente me dirijo a você
Tem que se querer para persevera, tem que se redimir para merecer
Faz sobra para os meus pensamentos, colha o vazio desse momento, o que se planta aqui e o que amanhã vai te apetecer
Não tenho o tempo nas mãos, não tenho tempo para perder, invisto cada segundo dessa imensidão nos braços de quem quer me receber
O respeito tem me ensinado um bocado sobre a vida, ainda tenho muita coisa para aprender
Mais tarde poderemos ficar a vontade, conversarmos novamente sobre a mocidade
O que foi feito não se apaga, nem mesmo uma planta roga a cura da paga por uma folha quebrada
Sou uma outra pessoa depois de cada queda, mais vivida, menos esperta, e que tem tantas outras coisas para aprender
Continuo acreditando nas pessoas, não me canso de pedir e de dar o meu perdão
Só não me peça para voltar ao nada, já caminhei tempo de mais sozinha para perpetrar nesse vão o não sei o que
Sei que o tempo não muda as pessoas, e que a essência vai se tonificando com o tempo
O nosso perfume é coisa rara, entretanto não retira determinados odores
Embora tentemos, embora arrisquemos, jamais concertaremos ou converteremos alguns pastores
Brincar de deus é um exagero, e também um sinal ridículo e claro de desespero de quem está sempre pronto para atacar, mas não sabe, nem mesmo busca encontrar o seu lugar   
Falar sobre falhas na escolha é exemplo clássico de quem não levanta da poltrona da sala para buscar seu próprio jantar
Somos todos responsáveis por nossos atos, por nossos pensamentos, por nossas faltas e na linha que divide a minha vida e a sua ninguém poderá colocar as patas
Tantas vezes eu fui mocinha, noutras, porém, fui bandida, mas sempre houve um meio termo que nunca ousei ultrapassar, o respeito é a medida
Respeito demais os meus inimigos para ser covarde com eles, ganho por meios “lícitos”
Se assim não fosse, estaria desmerecendo a briga e consequentemente minha vitória
Atrevo-me a dizer as verdades que me convém, e também a escutar as mentiras até onde me forem úteis
Conto com o dia de amanhã para me esclarecer o que me parece vitimar, aguardo como um vigia atendo a noite que corta o meu lamento, na certeza que o novo dia trará, com sua claridade, as respostas que sustenta me flutuar
Tantas vezes errei por acreditar demais, tantas vezes me atrasei dando passos para trás, busquei concertar, sem saber que o que não tem remédio,  remediado está
A cara da realidade não era a mesma que eu costumava pintar
Borrei o desenho, apaguei e arrisquei recomeçar
Descobri que retrato borrado não se reconstrói, fugiu a figura da minha mente, dolorosamente se autodestrói  
Perseguirei o meu coração na contramão dessa cansativa realidade, onde uns podem mais que outros, onde o que mais se valoriza é a aparência e a inverdade
Continuarei carregando a cruz que me cabe, descobrindo amor em alguns e em outros o tamanho da sua falsidade
Falarei do sol, o calor, do mar, do carinho e um punhado de um tanto de outras coisas que me cabem explicitar o seu valor
Terei como abre alas da minha jornada o amor, que tem me ensinado cotidianamente os diversos ângulos da sua aplicação
Que tem me conquistado lentamente, como pode, como aceita, como suporta viver no meu coração

Roberta Moura