Todos os dias a Arte me toma de assalto e me leva para a Vida Real. Troco palavras, vejo pessoas, vivo um dia após o outro, como se o de ontem não tivesse existido, como se o de amanhã ainda estivesse muito longe de chegar.
Imagem de René Françóis Ghislain Magritte, surrealista Belga.
Aqueles
olhos verdes eram de matrimônio, e eu, que sabia de todas as coisas,
experimento o branco da ignorância no mais tímido silêncio
Me
apaixonei
Percebo que
estive cega e a experiência não foi das melhores
Deixei-me
guiar por aquele par de olhos imaturos, as esmeraldas do meu tesouro me
deixaram fenecer
Foram
tantas idas e vindas de sentimentos, tantos desencontros, tantas traições...
que já não cabem no meu sorriso amarelo
Enquanto eu
lamentava, ele provava outras bocas... línguas e salivas ácidas que o
envenenava sem perceber
O cálice da
luxúria e aqueles sapatos brancos o envaidecia como poucas coisas, sem falar
naqueles olhos cor de oceano
Partiu o
meu relicário aquele sorriso sonso e seus impulsos já não eram tão ocultos
Fiquei com
a garganta seca e o entrave do lamento das palavras que nunca falei
Foi aí que
eu o traí
Traí sem
culpa, sem arrependimentos
Dona da
razão e das forças que conduzem a minha vida
Deixei para
trás aquela casa com cheiro de lavanda e as roupas das crianças estendidas no
varal
Fui para
não voltar mais, fui como se não houvesse um amanhã
O fiz
tantas e tantas vezes que esqueci de me apaixonar
Simplesmente
traí
Quando em
casa, em outros tempos, reparava as marcas de batom na tua roupa, hoje sequer o
exagero no perfume barato da meretriz que toma conta da sala de jantar mas não
me agita o estômago
Isso porque
estou te traindo, só por isso
Olho aquela
foto na parede, típico modelo de família patriarcal... que lástima, que
ridículo
Tenho mais
pesar pelo que parecemos ser do que pelo que faço com a tua cabeça
Bela
fotografia na parede, ela é o que queremos parecer e o que talvez quase fomos
Talvez, se
esse par de olhos cor do mar não atraíssem tanto, se meus reclames fossem mais presentes
e menos latentes que a minha necessidade de me sentir amada...
Se não
houvesse tantos corpos vazios, cochas e tornozelos torneados e o vinho não nos
subisse tanto a cabeça...
Quem
sabe...
Hoje o que
nos resta é posar para fotografias, ir à igreja aos domingos, dar lição de
moral aos nossos filhos
Porque
percebo que o que pensava que éramos somente me parecia ser
Fomos
perfeitos pela metade, por cada um de nós e nossas buscas desvairadas por
sermos amados
Nos
deixamos sem ir embora, nos esquecemos sem perceber, nos abandonamos em dupla,
nunca fomos um par... "Nous ne sommes pas ce qu'lis semblent être..."
Até consigo me ver daqui
desse lado, onde o mar da saudade se esconde
Falo e finjo não querer
nada do nada
Apesar da lacuna da
verdade
Castros lábios que não me
roubarão o último sussurro de um sentimento dubiamente maculado
Sombra do acaso, história
sem fim
Faz que não olha e me
leva para casa
Passa a noite toda imaginando
como seria fácil
Percebe que lhe faltou
coragem e que jogou fora seu último pedaço de mim
Dá de alimento a sua
esperança, com a certeza de que seu deus vê tudo, e desde a sua infância espera
por mim
Pedaço de solidão
acompanhado
Nunca chorou a mágoa de
ser abandonado, sempre deixou alguém esperando do outro lado
Não soube o que é sofrer
com o coração congelado, esperando o verão de emoções lhe fazer sorrir
Ele não chegou
O que te acompanha é a
fajuta loucura de mais um apaixonado
Reza antes de dormir e
não toma cuidado
Pede ao seu deus o que
lhe seria de bom grado, sem saber que os deuses sempre cobram dobrado daqueles
que exigem e não sabem dividir
Agradece como quem tem
intimidade, olha para o lado e procura saber se ainda estou por ali
Diz que vai se casar,
mente para si mesmo à todo tempo
Pobre criatura iludida
pelos seus próprios sonhos, custa realizar
Cumprirei todas as minhas
mais esdrúxulas promessas, não porque merece a paga do meu sacrifício o imolado,
mas pela escola de dura palmatória que me fez crescer
Enquanto os seus erros
forem os mesmos as suas respostas dadas pelo mundo também serão
Desde daquele fatídico
dia em que o seu olhar invadiu o meu eu sabia, perdi para você a minha vida
As mentiras carregaram
sonhos e planos, mas não conseguiram levar o amor
Com o tempo ganhamos peso
e um banho de realidade, mas nada apaga a tal da saudade
Tão somente porque meu
coração por vezes se sente apertado pela falta de maturidade que me levou a ter
que partir, a repetir, a sucumbir
Tanta tinta marcando o
muro do vizinho com as nossas iniciais, que desperdício, se não fomos feitos um
para o outro
Não é com ela que você
sonha, nem com quem você se casaria
Que desperdício de tempo
e de vida
As vezes a vida só espera
uma atitude sua, mas uma atitude justa!
Que gabarite a sua
entrada na vida das pessoas, e mais que isso, que justifique a sua permanência
Como Adriana Calcanhoto,
digo que “há algo que jamais se esclareceu... onde foi exatamente, que larguei
naquele dia mesmo, o leão que sempre cavalguei?”
Ser chefe depende de posição,
de rótulos e muitas vezes de indicação.
Ser líder é natural, está no
sangue, nas palavras e atitudes, e para quem acredita está na força do sobre
natural.
Um chefe depende de nomeação, um
líder de reconhecimento popular.
Um líder, gratuitamente,
conseguirá conquistar os mais fieis seguidores, enquanto o chefe, mesmo pagando
à preço de outro os serviços dos seus subordinados, jamais alistará gratuitamente
o respeito desses.
Um chefe se monta, se
constrói, se almeja, se destrói, enquanto o líder é constituído de atitudes, de
uma sequência de atos que responsavelmente planejados e executados, que lhe
impulsionam à caminho da excelência.
Na glória o chefe aparece, o
subordinado enlouquece e o lucro, uma vez ou outra subsiste. Na dificuldade o
chefe enlouquece, toma atitudes imediatistas e sem o qualquer conhecimento de
causa varre para baixo do tapete a confusão que produz, não mede consequências
e se arrisca sem o menor lamento. Jamais reconhecerá um erro, e quando mais
nada lhe sobrar, só lhe fará companhia o lamento da solidão e de não poder em
ninguém confiar.
Na glória o líder compartilha com
seus pares e reestrutura planos porque sabe que a fama é passageira. Alimenta o
ego, mas feito poeira, sempre é soprada para outro lugar. Ele partilha o
conhecimento sem medo, porque não tem receio, pois sabe que o seu talento ninguém
pode tirar. Na peleja da derrota chora com os seus semelhantes, mas toma
coragem e aprendizado, pois tem certeza de que é capaz de “qualquer Lázaro
levantar”. Percebe que sempre terá mais uma chance e que a lição lhe fará
melhor e mais experiente, o bom líder sempre sabe esperar.
O chefe acredita mais na ação
que na prevenção e por vezes não dá ouvidos à sua própria intuição. Intuição
essa que lá atrás lhe guiou desde quando almejava está nesse lugar, e que não
tem mais utilidade alguma porque confia que de lá não vá passar.
O líder não tem limites,
porque sempre haverá algo à conquistar. Mesmo que esse algo lhe encaminhe e lhe
atire além da zona de conforto. Afinal, ele sempre se lembra que foi encarando
de frente a sua zona de conforto e discutindo os seus limites próprios que ele
chegou onde está. O desafio é o seu caminho e o sucesso o seu lugar.
Mais do que padrões de escala
e/ou profissionais, você tem a oportunidade natural de eleger para si o
comportamento que vai assumir diante da sua própria vida. Nas mais diversas
áreas do seu conhecimento profissional, da vida real e dos sonhos que pretende
conquistar sempre haverá desafios e escolhas, decisões sempre serão tomadas, e
é nesse momento que o chefe e o líder irão se encontrar, mas é você quem escolhe
qual dos dois vai usar.