Quem sou eu

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Todos os dias a Arte me toma de assalto e me leva para a Vida Real. Troco palavras, vejo pessoas, vivo um dia após o outro, como se o de ontem não tivesse existido, como se o de amanhã ainda estivesse muito longe de chegar.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Saudades Eterna



Rosas e flores
Canta as histórias cantadores
Rosas que me acalma e me alimentam a alma
Sinto saudades, as vezes a solidão e as dúvidas me devoram
Foste filha, mãe, companheira, amiga e exemplo
Pé de manga, frutífera e sinalagmática
De onde parti e onde estou
Flor que cresceu e padeceu no campo das virtudes
Cairão mais de mil ao teu lado e em nada te abalará tal estrago
Jardins inebriantes te guardam desde o a deus
Tenho certeza, e chega a ser latente meu apontamento
De que ninguém roubará o teu aroma mais palpável de dentro de mim
Os dotes gastronômicos que me pertencem
Minhas raízes mais fortes, o sul e o norte
No extremo oriente do meu peito
Teus ensinamentos e solidariedade, legado de verdades

E neste dia de saudade
Plantarei uma Rosa em tua homenagem
Para que a vida continue se perpetuando pelos canteiros da minha caminhada

Sua filha, sua neta
Roberta David 

Carta à meu Irmão



Amado Irmão

Ontem encontrei um bom amigo
Desses que agente sente que pode contar por toda vida
Ao me ver, notei no seu semblante o susto e preocupação com o meu bem estar
Com poucas palavras ele perguntou: com quem estava, como estava, como tinha chego lá, e quando iria retornar...
Esqueceu de se mesmo, e por um momento, da sua perna, que latejava sem parar
Ao tocá-lo percebi-o febril, o que não lhe parecia incomodar muito
Senti-me muito bem tratada, recepcionada calorosamente, com essas coisas que fazem os bons e velhos amigos
Em um dado momento, nos balançávamos na rede enquanto conversamos coisas bobas, como a sua preocupação com a roupa suja, quantas pessoas cabem em uma caminhoneta 4X4, quem ele levaria para passear, e porque as pessoas “rumitam”...
Percebi que, em um dado momento, ele precisara continuar com seus afazeres diários, deixei-o a vontade, mas a sua tentativa de acompanhar aquele outro amigo, o mais Véio, não logrou êxito
O pesar do seu semblante quase transbordou o meu coração e os meus olhos
Pensei, se aquela perna não o incomodasse tanto, ele continuaria a sua peleja diária de acompanhar o Véio e, talvez assim, pudesse evoluir com tal rapidez que nem mesmo nos nossos maiores devaneios poderíamos galgar
Sei que ele tem o que não tivemos, certamente terá muito mais
Mais passeios, mais companhia, mais pessoas politicadas ao seu redor
Ao menos tempo, percebo sua personalidade toante, vejo que nada disso faz diferença para ele, visto que, se refrescar em cima de um tanque é bem mais divertido que se esbaldar em uma bela piscina vigiada
Mais tarde soube que tentou seguir sua peregrinação com uma distinta senhora pelas ruas da cidade, e novamente não conseguiu cumprir sozinho sua andança, nesse momento, sem maiores embaraços, pediu para que ela diminuísse o ritmo
Mais que isso, recebeu braços abertos para carregá-lo até o seu destino, ele merece
Sem mais delongas e humildemente aceitou, amigos são para essas coisas
Tento aprender com meu amigo a conceituar menos e suportar mais
E, muito embora a dor da perna incomode, é preciso caminhar
Ele é Pedra, que pelo tempo e adereços do Criador, será polida com as ferramentas da alma, afim de que se torne face das quimeras de seu Arquiteto

Roberta Moura

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O Coração do Aprendiz

Nem o Arquiteto esquece o que planeja, nem o Obreiro o que deve ser executado


Todos os dias cortando um dobrado nessa imensidão de tarefas a serem cumpridas
Abraços fraternais são as recompensas
Somos grifo dos nossos pais
As correrias infindadas das crianças, para onde elas correm?
Com irmãos contamos e eles resguardamos, Esfinges que se escondem nas nossas escolhas, que se consagraram nas gentís acolhida das Sombra das Acácias
Adornos que são trocados, que doam-se para enfeitar o corpo, de nada vale se não para distinguir cada vez mais os seres humanos
Nada mais somos que Aprendizes
Com a alma de artista que pesa sobre os nossos ombros, vislumbramos a bateria de alegria que temos de espalhar, ambicionamos continuar
A arte deseja ser ouvida, falada, cantada, gritada...
As benfeitorias precisam ser caladas, e necessitam caminhar nos meandros pagões sem serem percebidas
Todos os dias antes de recobrar a consciência, crianças nos tornamos, o pouco conhecimento que não paramos de buscar nos locomove a sermos candidatos à perfeição, como em um destino certeiro
A estrela e a perfeito, homens e mulheres escolhidos pela eternidade
Esse é o nosso tempo, só nós podemos realizar a evolução, e por obrigação conseguiremos
Para sempre seremos fraternos, sem receios, sem dogmas e cepticismo, não bastando o traço sanguineo, em um sobe e dece de aperfeiçoamento, invencível espírito de comunhão
A Harmonia em nossos corações palpitantes
Façamos da nossa luta real, combatamos felizes o combate diário e sairemos vitoriosos até por não termos vencidos
Nessa gigantesca Loja, que se torna o mundo, o labor precisa de mãos, sábias, leigas tortas, brancas e negras, mãos cegas que incançavelmente dever trabalhar
Do Meio-dia à Meia-noite, sem cessar, sem parar, sem vacilar
Carreguemos no peito da Terra Mãe à esse Ocidente, rendamos nossos esforços, perante o sol do Oriente, nos posicionemos para ouvir e aprender
As palavras do livro sagrado nos informam que já é chegada a hora,
a Pedra bruta temos que lapidar
Os Segredo com a vida guardaremos
Silêncio por virtude praticaremos, e na sua companhia o nossos Simbólicos atos se repetirão, sejam eles morais ou filosóficos, sempre nos interpretaremos
E os outros o mesmo farão
Que o Templo de Salomão seja a nossa morada, estandarte da nossa casa, maravilhas da criação
Trindade, começo, meio e fim
A riqueza do mundo profano se esvai, pois em nós tudo é novo a todo tempo

Roberta Moura

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O que já foi



Já senti frio, dor, carência, já duvidei da minha tão pouco inteligência, já chorei por amor, temi, quase me perdi, senti inveja, já apelei aos santos, fiz promessa, já resolvi diversas vezes, já desisti, já cheguei lá, já parti
Lembro de você todas as vezes que preciso respirar, e sei que você também pensa em mim com a mesma necessidade, só não sei porque... perca de tempo a vida inteira se você não esta aqui, se não vem...
Faria tudo de novo, do mesmo jeito, com o mesmo sofrimento e angustia, se soubesse, na certeza de que, no fim de tudo agente se chagaria, faria o fim chegar mais rápido
Nem mesmo se quem sou, mas sei que em mim falta um pedaço seu, preciso de você para saber quem sou eu, e na totalidade do seu olhar que eu me reflito inteiro, me reconheço a cada pedaço, alguns que você conhece mais que eu
Hoje sou o mundo, um novo velho rosto, sou mudada, sou mundo, sou o tempo que se passa, muitas vezes sou mais você que eu
Nós dois, somos mais que uns sós, somos dois, como no início, como no hoje, como no amanhã, somos mais
Roberta Moura

Comigo



Corre e risca o céu, dobra e guarda o meu véu de sonhos, consome o calor dos meus lábios com o torpor do teu desejo, abre a cortina dos meus olhos para um novo dia
Fala manso, me conta os teus sonhos, descontrai meu pranto de mesmice
Vive comigo, come os meus quitutes e me vê ganhar e queimar calorias, meu amigo, companheiro, querido amado
Sobe na árvore da minha volição e me colhe frutos maduros dos anos ávidos de tua presença
Constrói comigo palavras de unidade, músicas de fidelidade, palavras nossas
Sobre o meu colo descansa deu temperamento, me incumbe de fazer-te feliz, me responsabiliza pelo teu cotidiano, me entrega os teus cuidados diários
Quantos anos nos castigará a inércia da falta de convívio, ao tempo perdido... quem dará conta do tempo, preciosos tempo perdido...
Roberta Moura 

sábado, 13 de novembro de 2010

O Tempo



O tempo é o amo dos destinos, dos julgamentos, das causas, da casualidade eminente, o tempo é o senhor das “coisas”
Com ele aprendo um pouco a cada dia, e cada dia vira sempre, e o que colho nunca é demais, porque assim como o tempo, a sabedoria e o prazer em conhecer o novo que habita em mim, não vem a fenecer
Só ele é o rei desse jogo, ele é quem modifica, aguça, despe, reveste, transforma e cura, o tempo arma e desata nós, ele costura laços eternos e remenda erros
Percebo então que tudo nessa vida deve estar de acordo com ele, e ai de quem por ele passar e não o-cumprimentar
O tempo remove montanhas e constrói impérios, leva tudo feito mar bravio, depois oferece abrigo em seus braços seguros
Ele acredita que tudo, um dia, vai ser melhor, e por esse mérito da a sua consumação como prova, e realiza-se nos atos praticados aos seus conselhos, e como uma infindada colcha de retalhos terço os meus dias e anseios na sua sombra

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Não Fale do Que Não Sabe



Quanto mais se cria ou se desenvolve uma atração por algo, alguém ou alguma coisa, estas mesmas, como que perceptivelmente, se tornam cada vez mais distanciadas
Como se estivessem sempre um passo a frente, como se o tempo e o espaço conspirasse contra o bel-prazer, aos olhos e sentidos esperançosos dos que desejam
O tempo passa a ser percebido pelas suas menores unidades, e o universo é pouco para um sistema infalível de comunicação, contatos imediatos e coincidências, intencionais ou despercebidamente provocadas
Mesmo diante de tanta confusão e asneira, preciso ser sincera em dizer ou confessar que me choco com coisas corriqueiras de uma mente vã e infantil, com todo o acaso do desconsolo, com toda a minha previsibilidade burra e com o meu senso inútil de justiça
É certo pensar que a mim nada custaria puxar um tapete barato ou tornar-me cavalo nesse jogo chinfrim de xadrez, se apesar do que sou não me levo a nada, para quem mente assim a alma respira calúnia
O que me dá raiva não são os livros espalhados pela sala, nem o perfume da pele que não sai do meu nariz
O que esfola a alma é ver meus vestígios, coisas minhas, espalhadas pelo mundo, em pessoas que nunca me viram, que nunca me ouviram, que de fato, nem sabem o meu nome completo
A minha história conto eu, do meu jeito, da forma que eu quero, vestindo o meu personagem predileto, costurando frases e sonhos, inventando poemas e descobrindo fábulas no meu dia-a-dia
Nem mesmo uma Helena de Manoel Carlos eu gostaria de ser se essa história não me coubesse, se não fosse minha de fato, se não fosse eu que contasse
A mim não cabe a acusação ou absolvição desse caso sem veredicto
Visto que a mim não cabe o papel de vítima nem de réu, apenas mais uma testemunha dos prazeres e desprazeres da vida