Quem sou eu

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Todos os dias a Arte me toma de assalto e me leva para a Vida Real. Troco palavras, vejo pessoas, vivo um dia após o outro, como se o de ontem não tivesse existido, como se o de amanhã ainda estivesse muito longe de chegar.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Jeito todo meu de ser




De mãos abertas
Esperando que caia de cima ou para baixo
Que grude o que quiser grudar
Sem maiores expectativas
Sem escolhas marcantes, mais para alimentar o que já existe, que para fortes mudanças na nuance
De boca fechada, contemplando o fleche de lucidez que minha azia trás
Sorteando um número telefônico para ligar, na perspectiva de fazer quem atender feliz
De pés descalços, sandálias nas mãos, carregando nas marcas das minhas expressões lugares e histórias, todas passadas
Procurando na minha palma mais um espaço para desenhar
Sou desse jeito, todo meu de ser
Sarcástica, vulgar, debochada, sensível, dramática, dependendo da hora, do tempo, do alguém, do lugar
Absolutamente capaz de viver, e de fazer feliz quem se permita me amar
Multipolar
Cansada de ir, bater e voltar
Escaldada
Sonhadora e Voyeur, um passo de cada vez
Não suportando que me digam o que fazer, que podem minhas marchas, que entravem minhas chances de chegar, o meu caminhar
Deixe-me viver meu amor, meus limites ultrapassar
Liberdade, clarão da minha mocidade
Construir uma casa no campo, cozinhar aos domingos para um bando, fazer caridade, doar meu sangue
Não se perca nas palavras, fale menos e viva mais
Silenciosamente cante uma canção olhando nos meus olhos, sentindo minha respiração
Ou pegue logo o beco, escolha a sua estada, esforce-se para dar certo, dedique-se a um “amor certo”
Sabendo que errados somos todos nós e nossos corações bandidos
Que se batem a todo tempo, mais que amigos, inimigos da solidão, da maldade
Que não dominam o libido nas palavras, sem limites nas declarações
Para que saber o que você quer de mim?
Não me interessa
Se ganho apenas com a oferta do tudo que tenho para dar
Não julgue inocentes nem bandidos, faça a sua parte, fuja comigo
E juntos seremos perfeitos, cada um de um jeito, completando-nos pelo avesso, nessas emoções que nos fazem flutuar
Evito os dias cheios de nada, produzir é o melhor remédio
Vivo diariamente na vanguarda dos meus desejos, capitulando, marcando hora para os nossos beijos acontecer
Para que você acorde desse nada e venha comigo se reinventar
Mesmo que surta pouco efeito, minhas tentativas atrapalhadas tendem a continuar


Roberta Moura


sexta-feira, 13 de maio de 2011

De perto e de longe, NÓS!




Quero viver com os olhos voando, mas preso em seus braços
Quero voar liberto do peso de minha alma
E acender tantos lumes do meu coração, quanto for preciso para que irradie ao mundo
Para enfeitar o beija-flor que pousa em suas mãos
Adocicando suas lembranças, seu viver, seu sonhar
Nos momentos de extremas dificuldades, quaisquer que sejam, alimento uma única vontade
A de nascer noutro dia
Diferente do que estou vivendo
Como individuo esperançoso, cheio de vida para doar
Essa espera é o que nos mantém de pé, me faz sonhar acordado
Vou nutrindo a possibilidade da realização destes devaneios
Sei que O PAI me segura nesses momentos me fazendo levitar
Como uma criança que teima em soltar as mãos da mãe para correr a sua frente, tento viver na propositura do amanhã
Mas, Ele me puxa com carinho e me coloca os pés no chão
Por isso, não me definho na tentativa de fugir de mim
Sigo
Hoje
E
Sempre
Pois sei, ou melhor, tenho certeza que a felicidade não é deste mundo
Mas, do nosso!
Siga bem, confiante que sou eternamente agradecido por sua paciência
Pelo companheirismo
Pela fidelidade
Pela cumplicidade
E amizade
E todas essas coisas que fazemos com a natureza dos puros de coração
Por que insisto em pensar que o caminho é muito mais importante que a chegada
Ela, a chegada, é sempre o ponto de partida de um novo começo
Se achegue em mim, e chegue sem pressa
O oceano é aqui, é ai, onde estivermos em sonhos e prosa
A terra firme também, onde escolhermos viver e plantar as sementes de um novo amanhã
Começamos e recomeçamos a partir do momento que percebemos que algo novo precisa encetar
As nossas asas, mesmo cortadas, nos possibilitam voar
Segurando-nos, agarrando-nos, odiando pelo avesso todas as incertezas da humanidade
Então, pensemos e causaremos
Causemos um novo início, onde o fim se perde, onde o amor prevalece
Onde todos poderão dizer, sem temer, o que dizemos: EU TE AMO




Roberta Moura e Balsa Melo


terça-feira, 10 de maio de 2011

Pés descalços a flutuar





Como um planeta que equilibra-se no nada, corre o amor por minhas veias, faz em mim sua morada
Flutua pela minha pele, de leve, me escreve em seu corpo
Permita que feche lentamente os teus olhos, pretendo ter teus sonhos em minhas mãos
Contar na ponta dos dedos o que posso comprar, viver o apogeu de tua satisfação, me doar
Trilho minha caminhada por ladeiras tortas e íngremes, tento me segurar em que docemente me dá a mão, quer me acompanhar
Cochilo quando posso, evito o adormecer para não perder um só sorriso manso, o linear longitudinal dos teus lábios apartando-se um do outro, esperando o meu sinal
Não sou risonha nem triste, ou artista, poeta de pouca estirpe, cantador que se deixa encantar
Canto palavras profanas de amor e imensidão
Para quem nem aparece, para quem cedo me esquece, para quem vive da minha prece, para quem quer me ver crescer
Tenho trocado moedas por pão, alimentado minha ânsia e curiosidade com letras trocadas ao vento, batidas do meu coração
Cabos de fibra óptica, telefone, internet, cinema
Corro de pés descalço ao teu encontro, como quem não pode esperar, perder mais tempo, suicidar o amor que se faz presente desde sempre, que precisa confessar
Parceira das coisas vencidas, corro contra a maré da solidão
Nessas navegadas distintas, “balsa o melo” da doçura da amizade, das coisa de irmão
Ele não há de abusar dos meus reclames, não faz mau juízo de mim, não me acha demasiadamente trágica, talvez, porque ele também é assim
Vivo em um mundo de realidade que por vezes mais parece devaneio
Sonho com a puberdade alforriada, de peito aberto, carregando em suas mãos a bandeira da liberdade, brasão da mocidade que nada teme, nada tem que temer
Para mim, basta um curto e quase imperceptível gesto, enviado de longe ou de perto, com movimentos precisos de quem quer ter para se, para que venha comigo para sempre as marcas desse olhar
Basta um convite mais doce, que de pronto pago o preço do castigo, do amor profundo de quem nada deve ao mundo, muito deseja e tem muito a aprender e a doar


Roberta Moura


segunda-feira, 9 de maio de 2011

Entre a Chuva e o Adolescer




Tempo de reclusão, acho que a chuva me trás

Contesto lentamente o trabalho, raciocínio manso
Surgem na mente as lembranças de quando era criança, o medo, o choro, colo aquecido da célula Mater
Os dias chuvosos me deixam ainda mais nostálgica
As tardes de papo para o ar, no adolescer da minha mente conturbada, ao som de Kid Abelha e Legião Urbana, de Leone e Mariza Monte, encantada com a Leitura inebriante nas palavras de Paulo Coelhos e Cecília Meireles
Outro ponto fascinante?
As amizades!
Dessa matéria posso falar como Mestrada fosse, das mais doces as mais duras
“Indecisas escolhas”, testemunha do acaso, dos desencontros, da limitação compassiva, do desejo sobrenatural, da fraqueza e da superação, mentes em construção
Sou testemunha do caos da cabeça dos adolescentes, idéias em constante edificação
Transe, hormônios e curiosidade a todo vapor
As palavras “nunca e jamais” ainda saiam da boca
Quem nunca passou por isso?
Quem ainda precisa passar?
Belas tardes de domingo na praça, regadas ao mais barato vinho, risadas e declarações
Somente caladas pelos fins de noites dominicais, que até hoje nos consome com um misto de expectativa e lassidão
Até hoje, perdidamente apaixonada pelo ser humano
Juras de amor eterno, falsidade é vidro quando comparado ao diamante do amor
Como quem espera o momento certo de dar um “bom dia”, aguardo essa chuva passar
Com os pés gelados, buscando outro para esquentar, nos braços do amado encontro meu lar
Hoje e sempre querendo muito mais do que a vida tem para me dar
Sempre exigente ao amor
Sempre rezo e acordo cedo, mas espero deitada o momento certo para levantar


Roberta Moura

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Insira o Sim

 


Síndrome da folha em branco, curar-me-ei com as letras que começo a espalhar agora
Respondendo a pergunta que não quer calar em mim:
-SIM!
Digo sim ao mundo, as crianças de pés descalços, a vida que brota logo ao lado
As plantas, musgos e flores do meu jardim
Sim aos garotos gordinhos que chamam minha atenção, as moças bonitas que requebram ao caminhar
Ao beijo na bochecha querendo escorregar, a conversa ao telefone, a conta errada no bar
Digo o mesmo para a menina que chora a pena do amor não correspondido, amanhã é outro dia, mas não perca o agora, porque o “hoje” não vai voltar
Digo sim os meus amigos, ao vizinhos de longas datas, ao moço da cantina, a birosca da praça, a conversa na frente de casa, ao sarro no portão
Digo sim ao amor antigo, as promessas de prego batido, a ponta virada do meu passageiro e criativo mau humor
As minhas retinas cansadas de trabalhar, a cerveja gelada esquecida no fundo da caixa de verduras, a minha cozinha amada, ao café e pão com manteiga, a conversa antes de deitar
Ao teu olhar que me liberta, a minha voz que exorciza, as promessas “cUmpridas” e não “cOmpridas”
Ao poder de usar minhas “aspas” quando quiser
Sou cheia de fases, igual a lua que me orienta, me desce para a terra, que me sustenta, sim para ela e toda a sua cobiça, vontade que me alimenta
Ao computador que escrevo e não me escraviza
Ao “dElatar”do meu olho na sua pupila, ao teu rubor, ao meu “escancaramento”
Sim as novas experiências, ao dia de ontem, ao de hoje, a minha inocência por ainda acreditar no amor
Ao perdão aceito, ao compromisso não desfeito, as coisas lindas que ainda planejamos executar
A inversão das coisas trazidas pela positividade, aos sinais invertidos e revertidos, em busca do bem maior
A tantas outras coisas...
Mas que, nesta ocasião, não me tomam tanto quando a vontade de te beijar e te ofertar o meu SIM até quando minha vida durar



Roberta Moura



quarta-feira, 4 de maio de 2011

Quem foi que disse?





Calor de inverno
Vento rasteiro e quente sopra nas minhas canelas nuas
Ares de liberdade, dessa que me faz viver
Deixo meu pulmão encher de ar, antes que eu encha de tudo
Transpiro o calor no mormaço do corpo agregado ao meu
Vivo sim, um paiol de sensações
Curto o longo prazo da espera
Que demora!
Conto as horas na expectativa
Converto tudo que vejo em sinais
A chuva que corre na janela a minha esquerda, o motor silencioso do carro, o poder de vida e morte centralizado em minhas mãos
Tudo é tão simples
Escuto aquela canção no rádio e pronto
Volto no tempo, apresso a chegada, piso mais fundo, reclama o motor
As vezes sinto que minha claridade chega a ofuscar
Quem não quer ver?
Quem quer enxergar?
Espécie escolhida para ganhar meu amor
Quem foi mesmo que escolheu quem?
Não fui eu, nem você, nem ninguém...
Nada é tão difícil que vença esse instinto
Essa certeza que assombra
Sintomas de vida eterna agrego ao seu olhar
Transparece no teu rosto as marcas da minha lucidez
O rubor das suas maçãs ao escutar aquela canção
Como quem tira a sua roupa, reluto para não colocar tudo a perder
Pouca razão nós temos, muito amor cultivamos
Mas, quem foi que disse que o amor e a razão combinam?
Quem foi que disse isso?
Seguramente, quem nunca amou assim
Quem nunca sentiu as minudências de um olhar, a luz, o sopro de vida na aparição
O gostinho do resto da saliva, os tiques, manias, o contato que arrepia a pele
A respiração deitada na fronte do colo, suave, profunda, tênue
Quem nunca pegou o celular para ligar de madrugada
Quem nunca desistiu por alguns instantes, pensou mais de uma vez e voltou atrás
Quem nunca pensou em jogar tudo para o ar
Quem teme conhecer o arrependimento
Percebo diariamente que vivo e dinfundo amor a todo tempo
O-pertenço desde sempre, sempre pertencerei
Meus dias são percorridos com passos lentos e precisos
Por um caminho que não sei onde vai dar
Mas, tenho certeza, em todo tempo, que sei quem vai me acompanhar

Roberta Moura


segunda-feira, 2 de maio de 2011

A Justiça feita?




Entre jegues, helicopteros e caças, quem é o jumento aqui?
Dizem que o pesadelo acabou
Dizem que o bem venceu o mal
Quase todos acreditam
Chegam até a comemorar
Enquanto a grande potência bélica do mundo caminhava em círculos, o moço “barbudo” se escondia montado em um jumento entre as falésias do deserto
Pregando um Deus vingativo e ao mesmo tempo justiceiro, planejando derramamento de sangue dos “impuros”
“Santa falta de tolerância”, dos dois lados, mesmo olho por olho dente por dente, pura Lei de Talião
Loiros de olhos claros morreram aos montes, a procura de um só homem, como se ele fosse o culpado de todas as mazelas do mundo, como se os patrícios dos exércitos não contribuíssem com a miséria e mais derramamento de sangue
Não me venham falar que a Justiça foi feita!
A justiça não derrama sangue, ela impede que ele seja entornado!
Ela presa pelo “entendimento”, pela “tolerância”, pela liberdade de “crença”
Não me fale que o mocinho está agora sentado na casa branca com sua bronzeada bunda negra muito bem apoiada à contar vantagem sobre seus feitos
Passaram-se dez anos desde o atentado das torres gêmeas, e até agora, muitas dúvidas sobre a competência de seu suposto cometimento ainda pairam no ar
Passou-se uma década e ninguém conseguiu provar a materialidade de culpa do “barbudo”
Tudo que se sabe são profecias cumpridas, palavras profanadas de sua boca em tons sarcásticos, cheios de ironias e parábolas
Agora me dizem que tudo acabou, que a terra está mais segura
Como assim tudo acabou?
Tenho para mim que hoje morre um homem e nasce mais um Mártir
Que suas profecias conturbadas e suas pregações servirão de exemplo para outros tantos pares de sua fé
Enquanto os “ianques” eram vítimas de um ataque bárbaro tudo era apenas suposição de culpa, alguém do velho oriente haveria de pagar
Agora que assumem com prazer a condição de assassinos, sim, porque é isso que se é quando se mata alguém, passam a ser, mais que nunca, alvo de futuros e totalmente previsíveis novos ataques
Que o "barbudo" pagasse como homem, não como herói
Nada mal para quem é o maior produtor de armas do mundo, a esperança é que essa economia volte a funcionar a todo vapor
Mais de 5000 famílias perderam seus filhos no Iraque e Afeganistão
O cômputo de custo benefício tem se intricado cada vez mais
Quem vai pagar essa conta?
Tenha a “Santa paciência”!
Conta outra...
Eles são os craques da fantasia, de Avatar para fenomenais perseguições e blefes acerca de sua economia nós já estamos cheios
Passaram dez anos para encontrar um senhor de meia idade, em um pequeno e pobre pais, sob o qual hoje possui grande influência e só conseguiram capitula-lo agora?
“Santa incompetência”!
Para que vale tanto dinheiro empregado em guerra?
Escorro as breves linhas mais como um simples e restrito desabafo, que um registro de tudo que penso e que vejo sobre tudo isso
Sim, sei que, se depender de um simples visto de entrada para passar as férias na Disney, o mesmo será de plano negado depois desse desabafo
Também, estou mais para Turma da Mônica que para Mickey, mais para feijoada que para McDonald’s, mais para Havaianas que Donna Karan
Vivo no pais dos meus sonhos, o qual é governado pela minha cabeça, produz riqueza através do suor do trabalho e diverte-se com a arte latente que corre em minhas veias
Essa é a minha religião, meu Brasão é a Justiça da liberdade, da igualdade e da fraternidade


Roberta Moura