Todos os dias a Arte me toma de assalto e me leva para a Vida Real. Troco palavras, vejo pessoas, vivo um dia após o outro, como se o de ontem não tivesse existido, como se o de amanhã ainda estivesse muito longe de chegar.
Eterna guerra-fria Imbuída em palavras e gêneros Procura, cascavia os papeis de minha mente Tenta achar o que não vê Não existe amor sem sorte, mas pessoas ávidas O libertar é a conjugação sinonímia do Amar Máquina fascinante que a movimenta, sem ela nada funciona Tudo, que já era pouco se perde Inocente aquele que não conhece a dor do amor Todo amor é doloroso Como a mãe que põe no mundo através da dor Como o Deus que entrega o Filho a humanidade Todo poeta é em se a simbiose da dor Adormece no silêncio apreciativo da imortalidade Sopra solidão e atrai olhares de certas e duvidosas curiosidades Agente sempre acha... Acha que sabe de tudo Acha que já viu isso antes Mas não consegue enxergar um palmo a nossa frente Demente, pálida empáfia Não demonstre tanto, não desmorone Não faça ruir um mundo de possibilidades Suporto o zelo da entrega nos meus ombros estalidos Laxadas rugas no meu rosto me pronunciam Abano minha face com o leque do desejo Visto a roupa que me cabe, saiu para a guerra todos os dias Entre o desigual e o incomum, prefiro o diferente Não me peça nada que não possa dar Não coma o que não aguenta digerir Viva, construa, torne-se admirável Verede pelos desejados passos dos ídolos E assim, simbiosiando, vou criando calos nos meus pés, tecendo novas frases e palavras, desvirginando a noite, curtindo a madrugada Acrescentando diariamente em mim letras vivas, parceiras da falta de lucidez
Tenho procurado, curtido, sentido, falado Tenho chamado, pedido, escrito, sonhado Nada faz sentido, sentimento revel, descomprometido, isolado Amor perdido no planisfério do meu céu Quanto tempo faz, eu já nem me lembro mais Solidão à dois, separados pela história, vinculados a perdas e vitórias Quanto vale o teu sabor? Artista do meu picadeiro, compositor de uma nota só Adjetivos que se encontram ao léu, que lhe completa a incerteza Brinca no meu quintal, arranca a roupa do meu varal e me faz rimas fáceis Cospe na terra seca, voltarei antes que o céu se cure, que o dia amanheça, que seque as incertezas Quando você quiser, quando me permitir regressar Discorro palavras vãs, sugo mais que posso Chupo o sabor frutífero da maçã Aguardo Espero Procuro Escrevo E nada mais me resta E nada mais me importa ...à não ser, alguém que tenha o que digo, que me chame, que me abra a porta, que me tome pela mão, que naturalmente chame minha atenção De beleza necessária, de humor, de confiança, que traga nos olhos e na boca o escancarado sorriso de uma criança Que não tenha medo de rimar, que não se apavore se eu demorar, que saiba ler meus sinais, que não distorça minhas intenções Que me queira como mais que uma irmã, que demonstre, que exale, que não deboche das minhas inocentes tentativas de ludibriar o acaso Que venha ser feliz comigo E permita-se amar quem te ama
Na mão, a linha e a agulha Tentativa desesperada de unir as pontas, juntar o lençol que nos pertence Passa a fileira pela fresta cingida da agulha, levando consigo um intuito, um designo Costurando as casas que abriram com o tempo, limiar traçante que nos une Sutura perfeita, de quem quer curar Ziguezagueando pela avenida de seda da nossa sedução Vestindo-nos para a batalha diária de viver Despindo-nos no fim do dia, na beira do mar, esperando surgir os primeiros raios cortantes de um novo começo Fantasias e capas, fardas e botas batidas, uniformes desenformados E tudo mais que escondemos com o que nos veste Para, em fim, chegarmos em casa, libertarmo-nos do mal primário pecador Desde o Jardim do Éden, não somos mais os mesmos Posso arrancar de você o que te persegue, carregado lastro de perversidade Tirar-lhe a roupa, grelhar um frango, vestir teus pés de meias quentes, fazer-lhe as vontades Passaremos a vida tecendo uma enorme colcha de retalhos feita de memórias Pedaços do que somos, dos nossos sonhos, nossos anseios Colar enormes tiras coloridas, deixando nosso cheiro, pintando borboletas Não cederemos se à caso a linha romper, como já fizemos antes, emendaremos e recomeçaremos todo o processo de novo Não puxamos o traço horizontal pelas extremidades, unimos as pontas e aparamos as arestas, nos esforçando por nossas verdades Esculpindo a mais bela obra de arte Estilha do nosso amor a vontade Sem cobranças, sem limites traçados, sem regras a serem derrubadas Não contamos o que ganhei, quem empatou ou o que você perdeu Sabemos que somos muitas coisas, tudo isso E que você tem um amor para a vida inteira, esse amor sou eu
Tentarei não tocar Não prometer Tentar acertar Não viver para isso, soltar suas mãos, te largar Tentarei cuidar mais de mim que de você Não tecer minhas confissões Tentarei ser só um, um ser normal Não te assustar, largar meus desejos, não buscar Tentarei falar de mim sem que para isso gaste você Não lhe cobrarei um vintém de vida Tentarei não observar seus sinais, sei que isso te fará bem e mal não me fará Não escreverei cartas de amor nem folhearei os jornais Tentarei não sufocar, não perguntar o que não devo saber Nem mesmo continuarei dizendo o de sempre Tentarei não me entregar tanto, te encher de "eu te amo" Nem cruzar as ruas onde você costuma passar Tentarei não frustrar seus ouvidos, pedindo palavras que você nunca poderá me falar Nem mesmo vestir-me de festa, nem sonhar com você Tentarei deixar você livre, como sempre você quis e fingiu ser Não comentarei os seus limites, nem expor-los irei Tentarei não fraquejar, seguir meu rumo, não te procurar Não dormir seus sonhos, não mais te ligar Tentarei não me enxergar na tua estrada, fingir que sou um nada, te alunar Não ser nem em sonhos sua namorada, não estar mais lá Tentarei cantar um novo canto, secar o pranto, sair deste lugar, parar de jogar Não te levarei comigo nessa viagem, nem terei no teu peito o meu abrigo, esse amor que você não tem para dar Não jurarei, não pensarei, não escreverei, não cantarei, não esperarei, não protegerei... Só mentirei um pouquinho, até me acostumar
Tomo café da manhã com as letras Na verdade, elas me acompanham noite e dia Latejando em minha mente fértil Peço expresso e brusquetas com azeite Elas me pedem as mãos Hábeis e decifráveis, traço linhas que me levam ao eunuco do meu existir Viso de plano o amor, daquele que queria deslembrar Cúmplices do meu amado, as letras e palavras fluem com minhas mastigadas Suprindo o barulho das torradas que passeiam em minha boca, do café descendo goela abaixo, cumprindo sua jornada Tateando as horas que ainda tenho, faço minha prece diurna Prometendo o que posso, tecendo menções futuras de amizade e dedicação Se não fosse assim, eu não seria Elas nem me procurariam Gastariam o vago dos olhares tristonhos, em busca de um algo a mais Na fila do pão, do banco, na moça que injeta combustível no carro do senhor... Passaria despercebido Não seria um amor, seria um amigo, um colega, um conhecido Namoro com você desde a primeira vez que te vi Você que não percebeu Refém desse sentimento todo, ambicionando o sossego Desenho em formas arredondadas as letras que lhe dedico Curto esse momento como quem acalenta o seio amado Por algum tempo sinto sua presença aqui Entre o papel, o grafite, a inspiração, o amor e eu Surge mais um filho desse meu sentimento uterino Mãe passo a ser desses rebentos que não pertencem apenas a mim Mas a todos que comungam comigo esse bramido apaixonado Provam do limiar arriscado da sentimentalidade Superam-se, suplantam os demais Amam com todas as suas forças e querem sempre mais
Se você o ama e ele não lhe ama mais, permita-se pelo menos viver o último conselho que lhe foi dado, cuide de VOCÊ Verbalizando papéis musico a vida A queda também tem que ter algum sentido No mínimo, sentimos o sentido do efeito da gravidade Olhando para o espelho, você gosta do que vê Aqui, do lado de fora, é só silêncio e contemplação Tudo isso vai cair um dia Talvez “um dia” chegue cedo demais Não esqueça que estarei aqui, para sustentar enquanto for possível Enquanto meus braços suportarem o peso do seu coração Bem aqui Do seu lado direito Do lado quentinho da cama Junto da parede Esperando você se chegar Abra a janela e tente enxergar o mais distante possível, sem esquecer quem está do seu lado Normalmente esse transtorno me pertence Quase na totalidade do tempo eu que o pertenço Somos grandes demais para prendermo-nos nas jaulas das paixões Matrimônios frustrados, falsas confissões Pretendo ler mais sobre o amor, conceitua-lo, pratica-lo Dedicarei mais tempo a nós dois, e menos ao teu passado Te ver é como estar perto ao ponto de poder tatear a ternura E ao chegar mais perto, percebe-la nuvem Sair cabisbaixo, sem entender a fome que ainda sinto Contar nos dedos o que ainda posso fazer por você Por alguns segundos penso em colocar um anúncio no jornal No qual será escrito: Procura-se um amor para inspiração! Ao fim do devaneio, percebo que sempre compararei você com os outros demais Mas, “um dia”, nem antes nem depois da espera, na vinda desse fatídico dia A gravidade fará cair em meus braços algo tão belo e contemplativo quanto o amor que tenho para dar Desejará me ver por dentro, no espelho da sua alma Não apenas perceberá, mas compartilhará tal sentimento Gigante, vibrante, me fará forte, sem lamentos E elaboraremos juntos um novo conceito de amar
Cheia de palavras quebradas para vomitar Confusas informações tomam meu dia Agonizando no fatídico cotidiano dos mortais Querendo tudo Querendo mais Fatos e letras, excentricidade, política social, o bem e o mal... Tudo que é intenso me atrai Seduz minha essência a todo tempo Faz de mim brinquedo da sua existência Força dominante que constrói minha orbe Destrói meu peito, forte feito diamante Caço mais um bocado de sonhos Matando um leão por dia dentro de mim Esforço-me para não ser apenas mais um Um só, só um, em mais um dia, só mais um Toco a faca de dois gumes do meu querer Deslizo meus pensamentos nos tons que se propagam no ar Toro as cordas da viola que me aquece Violo o silêncio do teu olhar com um beijo Dominante, rasgo os teus pulsos aprisionados Tomo teus braços a minha volta Ao tempo que desejo repreendo Sinceridade não é luxo, não é aplicativo acessório É essencial, princípio inerente aos de boa fé “Vilipendio” esse amor necroso que golpeia diuturnamente meu peito Cadavérico Rock que componho em sua homenagem Dias melhores virão Sarcástico e bandido amor, instinto suicida da minha dor Ontem fui verdade, hoje sou metade Aprendi a amar teus defeitos como um amaDOR Falhando a todo tempo, ofertando sombra, sol, chuva, quem sabe um cata-vento Me tornando gigante em face do que carrego no peito Para torna-lo real, para que seja do seu jeito Transpirando o teu sorriso em minha alma, sentindo a precisão do teu olhar Mais pena que vive o meu amor Caço suas mão na minha cintura e não as encontro Perdidas, devem está abanando para o alto, buscando outros laços Tomo uma xícara de chá de carqueja para digerir o meu desgosto Tento, mas não consigo esquecer os traços marcantes do teu rosto